sexta-feira, agosto 04, 2006

04 Agosto 2006 – Dia 64




















































































































































De novo, este seria o último dia, uma vez que é sexta-feira. Mas a obra continuará até onde pudermos – que será domingo, inevitavelmente, para sairmos daqui com tudo o mais adiantado possível.
Ontem terminámos os apoios do alpendre e chumbámos os prumos ao pilaretes. Hoje é dia de soldar toda a estrutura, para depois assentar os barrotes do alpendre. Entretanto, outra equipa trata de chumbar os aros e outra começa com uma série de testes para apurar o melhor reboco para o exterior.
A noite chega. Amanhã é sábado, domingo é a despedida, e a nostalgia, que tem vindo a crescer, torna-se do tamanho deste céu grande...

quinta-feira, agosto 03, 2006

03 Agosto 2006 – Dia 63




































































































































































































































Os rebocos interiores conquistam todos pela sua beleza. Esta terra é, de facto, de uma coloração absolutamente fantástica. Tivéssemos nós disto em Portugal e ninguém quereria outros rebocos!
As térmitas são um assunto muito sério por cá, e todas as madeiras são escrupulosamente tratadas com anti-xilófago antes da sua colocação. A princípio tinha a intenção de o fazer com óleo queimado que tinha pedido ao professor de mecânica para me guardar, mas fui tendo a percepção de que a coloração negra e o cheiro intenso iriam desagradar muito toda a gente. Como este projecto também tem uma forte componente de charme e de sedução para esta técnica, prescindi um pouco dos princípios ecológicos e de reutilização, e lá fui à loja comprar uns litros de anti-xilófago.
Entretanto, as paredes das i.s. já estão a crescer, em BTC a ½ vez. É a primeira vez que os alunos executam uma parede inteira em alvenaria, e é bom que o início ocorra enquanto nós estamos por cá, sobretudo tratando-se de BTC.
A par disto, a Mariana e a Felícia trabalham com os muitos grupos que por cá montaram, na produção de uma festa dedicada ao tema da SIDA (um flagelo que, aqui atinge as proporções que se sabe...). O trabalho que elas têm desenvolvido é absolutamente impressionante. Em poucas semanas, desenvolveram um tal número de actividades e promoveram o surgimento de tal quantidade de grupos de trabalho, que nunca me pareceria possível. Sobretudo quando vejo, com algum descontentamento, o trabalho desenvolvido por outros voluntários, nestas situações, que mais se assemelha a sessões de férias com algumas actividades caridosas (no que a expressão tem de pobre) à mistura. Para mais, o trabalho delas promoveu a criação de grupos de trabalho que não se pretende apenas que sirvam para o contentamento das próprias mentoras enquanto cá estão, mas que cria condições para se perpetuar e ser levado a cabo pelos próprios membros dos grupos, tentando criar contextos culturais e sociais fundamentais, sobretudo neste enquadramento. Que grande orgulho sinto pelo trabalho delas! A Teresa revela-me que sente o mesmo, e exorta-me a forçá-las a divulgarem a experiência delas, por acreditar tratar-se de um documento importantíssimo para quem queira dedicar-se a tarefas semelhantes, revelando uma série de soluções que desenvolveram para ultrapassar problemas e para conseguirem chegar com enorme sucesso às pessoas e ganharem a confiança e estima delas.
Para esta actividade final, que acontecerá no domingo (último dia em que por cá estaremos) contam com a preciosa e empenhadíssima contribuição, voluntariosa e permanente, da Sara Machado da Graça e da Gianna – uma italiana, professora de guitarra clássica no conservatório dos Açores, que apareceu por cá de férias e que conhecemos em Maputo e se quis envolver nisto. Estão todos empenhadíssimos, muito motivados, e o resultado promete ser fantástico!

quarta-feira, agosto 02, 2006

02 Agosto 2006 – Dia 62



















































































































































































































































De novo em equipas, o trabalho ataca em várias frentes: continua-se com os pilaretes de apoio do alpendre, outra equipa com os rebocos interiores, outra com a marcação e furacão dos barrotes de cobertura para posterior fixação com elementos roscados.
O ambiente é muito bom, e o poder de improvisação dos alunos começa a dar resultados satisfatórios. Já é menos de registo anárquico e desastroso e passa a ser mais imaginativo e com uma perspectiva de consequência mais ponderada.
E a casinha ganha afirmação!
O meu contrato com a ONG terminou ontem. Eu tinha bilhete marcado para regresso a Portugal hoje. Mas, como o mudei para poder aproveitar da minha estadia aqui para outras aventuras mais lúdicas, vou sacrificar alguns dias dessas férias no apoio aos alunos. A postura em obra não sofre alteração absolutamente nenhuma. Mas agora, tal como a Mariana e a Felícia, também eu e a Teresa somos puros voluntários.

terça-feira, agosto 01, 2006

01 Agosto 2006 – Dia 61




















































































































































A primeira coisa que hoje me vem à cabeça é que estamos em Agosto, o mês em que, ao contrário do que me apetece neste momento, tudo terminará...
Depois disso, é a obra. Continua-se com as fundações nas i.s., com a colocação da armadura da viga e a betonagem até à cota prevista, inicia-se os pilaretes do terraço anterior, com BTC mais estabilizados, usa-se todos os desperdícios de betão e argamassa para, à semelhança do que foi feito nos muretes de fundação do início da obra, se preencher os fracos blocos de betão para os reforçar, coloca-se os blocos de canto no embasamento dos muros das i.s., assim que a viga está minimamente seca, afina-se os níveis desses cunhais e deixa-se à espera para continuar amanhã.
Entretanto a Teresa regressou de Inhaca, de espírito cheio e com imagens que me fazem ansiar pela minha desejada viagem através deste enorme e belo país.
Os furos deixados pelas agulhas de taipal estão tapados, e começamos com os preparativos para o reboco – limpeza de poeiras, criação de rugosidade para aderência, e aplicação da primeira camada, ou salpisco.
Um grupo de alunos do curso de electricidade vem, a nosso pedido e com a concordância do professor, estudar a viabilidade e as exigências de executarem a instalação eléctrica da casa.
Isto seria óptimo. Para eles, porque é uma experiência real; para os nossos alunos, porque podem presenciar um outro tipo de intervenção num edifício, e aprenderem com isso; e para nós, porque garantimos a instalação no edifício, para que ele fique dotado das condições desejáveis.
Tudo isto é executado em ritmo intenso, com uma escrupulosa divisão de tarefas em equipas de trabalho simultâneo e complementar. Isto começa quase a parecer uma obra a sério, o que me faz ter boas expectativas sobre o grau de preparação destes alunos, sobretudo dos encarregados, que têm a difícil tarefa de fazer todas as peças encaixarem.